TRÊS ANOS, TREZE ASSASSINATOS DE INDÍGENAS E NENHUM JULGAMENTO NO MARANHÃO

Um levantamento da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos contabiliza que, de 2016 a 2019, 13 indígenas foram mortos em decorrência de conflitos com madeireiros no Maranhão. Um detalhe chama atenção do número: em nenhum dos assassinatos, os criminosos foram punidos. Segundo o CIMI (Conselho Indigenista Missionário), o ano de 2019 já registra 160 invasões de traficantes de madeira ou exploradores ilegais – 44% a mais em relação ao total de 2018. O advogado e membro da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, Luiz Antônio Pedrosa, denuncia que nenhum dos crimes foi levado a julgamento ou sequer teve a identificação do autor. A maioria dos inquéritos está arquivado ou aguardando provas e outros elementos de investigação.

No início da semana, em entrevista à rádio web Tambor, o coordenador do Conselho Indigenista Missionário do Maranhão (CIMI-MA), Gilderlan Rodrigues, defendeu o fechamento das serrarias que utilizem madeira ilegal, extraída do Território Indígena de Arariboia, no Maranhão. Para ele, as serrarias no Maranhão “são cúmplices do crime organizado”. Gilderlan ressalta que a segurança dentro do território é de responsabilidade federal, mas que o Governo do Estado também poderia cumprir o papel de proteger o entorno – que abrange os municípios de Grajaú, Bom Jesus das Selvas, Amarante, Arame e Buriticupu.

“O Governo do Estado poderia intervir, fechando as serrarias próximas das terras indígenas, porque é ali que começa o processo, fiscalizar as serrarias e os caminhões que transportam madeira. Senão, essas serrarias vão continuar funcionando e os madeireiros vão continuar invadindo”, afirmou o coordenador em entrevista aos jornalistas Emílio Azevedo e Flávia Regina .

Como se não bastassem os piores indicadores de pobreza do Brasil, o Maranhão ostenta por décadas números escandalosos de mortes em conflitos de terra, registros de quebradeiras de coco expulsas de terras ou sendo ameaçadas de mortes, comunidades tradicionais retiradas de seus territórios, a pretexto de desenvolvimento econômico, e indígenas assassinados como se não existisse o instituto da justiça.

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