TERRA DE NEGRO COSME

Em um mundo com discussões ditadas pelos algoritmos das redes sociais, a coluna Fonte, assinada por nós no Jornal Pequeno inaugurou a polêmica envolvendo a patetice de construir uma réplica da Estátua da Liberdade na terra de Negro Cosme. Cosme Bento das Chagas, o Negro Cosme, foi líder da Balaiada, uma das maiores revoltas populares do país, iniciada no Maranhão no período de 1838 a 1841, com participação de negros, vaqueiros e população de baixa renda. O preto liderou três mil escravizados e ficou conhecido como “Imperador da Liberdade”.

Feito o devido reparo à historiografia, somente agora oficial do Maranhão, é fundamental ir além do mimimi e dos extremos que costumam rasgar ao meio as polarizações tão banalizadas na atualidade. Um charmoso sociólogo francês, Pierre Bourdieu, nos inspira a falar de símbolos, de “poder simbólico”, considerado por ele como um poder invisível de construção da realidade. A discussão aqui vai além do símbolo da estátua nova-iorquina e dos empregos a serem gerados. Nenhum imbecil se posicionaria contra empregos em um país hoje com mais de 14 milhões de desempregados. 

A estátua é um símbolo. E símbolos são instrumentos de identidade cultural, de certa visão de mundo, reprodutores de determinada ordem social. Não há como aplaudir uma cafonice que reproduz a “liberdade” em frente a um empreendimento de propriedade de um senhor que veiculou um vídeo no sistema interno da loja, ameaçando de demissão funcionários que não votassem em Bolsonaro, dias antes do primeiro turno das eleições de 2018 – segundo reportagem publicada na revista Piauí. Menos ainda ser jornalista e ignorar o fato de que o véi em questão é um dos investigados pelo STF, no Inquérito número 4.781, das Fake News, que investiga a rede bolsonarista de comunicação, com suas milícias digitais, gabinetes de ódio e disparos em massa de notícias falsas.

Símbolo por símbolo, que prevaleça nestes tempos sombrios a força dos Cazumbás, que, com sua magia, afastam os maus espíritos. Ou de qualquer outro símbolo da nossa imensa e rica maranhensidade.

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