RADIOJORNAL DA TAMBOR ESTREIA QUADRO “SÃO LUÍS QUE QUEREMOS”

“Serpente, nem sente, que me envenenou…” Os versos velosos cabem como luva de pelica para descrever a completa dormência que toma conta de grande parte da população da cidade edificada sobre uma serpente adormecida e sob a ameaça permanente de um improvável despertar que provocará o afundamento da ilha. Quiçá, uma serpente prestes a acordar – não pelo barulho, mas pela aprovação silenciosa de um Plano Diretor assustador, predador. Sabe-se que não há horror em certo charme lendário, muito pelo contrário: uma espécie de anestesia venenosa a provocar profunda sonolência social. À exceção de movimentos populares, dos nossos quilombos urbanos e da população de alguns bairros da periferia, onde se matam jovens negros e outras vítimas do apartheid social, a capital do Maranhão vive resignada como uma pobre coitada.

S!ao Luís do Maranhão: o aviltamento de um “patrimônio” da humanidade

“Um amor assim delicado, você pega e despreza” é um som de vinil arranhado, cantada barata para a ilha de um amor ingênuo, de romantismo gonçalvino, com bafo de tequila e camarão seco. Ilhados mesmos vivem os moradores da “península” (nem todos!), sem saber a maratona cotidiana de quem mora da Cidade Olímpica, sem conhecer os ricos dos Bondes que prosperam com o tráfico na ausência de VLTs e oportunidades, sem eventos públicos de cultura e empoderamento criativo. Essa, sim, é apenas a Ponta d’Areia movediça que, a cada quatro anos, se transforma em asfalto eleitoreiro engolido pelos eleitores à míngua de soluções para seus problemas mais básicos. Ah, São Luís de Sousândrade, do cachorro-quente do Souza e de certos políticos nem Seu Souza! Cidade-contraste. Atenas-Apenas. Brasileira-estrangeira. França da fraude dos Trópicos. Escangalhada e mal paga. Livrai-nos do mal, além!

A cidade dos becos, da Bosta, do Quebra Bunda, se converte em beco sem saída para a maioria da população

O texto-manifesto é para informar aos leitores sobre a estreia do quadro “A São Luís que queremos!”, uma roda de conversa entre os jornalistas Ed Wilson Araújo, Emilio Azevedo e esta aqui que vos escreve (Flávia Regina), que ocorrerá na próxima segunda-feira (08/04), a partir das 11h, no jornal da Rádio Tambor. O tema da primeira edição será “O futuro e a realidade atual da Ilha de São Luís”. A partir deste mês de abril, um assunto semanal será debatido, em um quadro no radiojornal. Para ouvir, basta acessar: wwww.agenciatambor.net.br ou pela transmissão via Facebook, de segunda a sexta, das 11 às 12h.

Texto e fotos: Flávia Regina Melo

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