QUEM É O MAIS MAL EDUCADO? JOÃO ALBERTO OU FLÁVIO DINO?

A pergunta do título remete a questões menos afeitas a boas maneiras e mais relacionadas a outros aspectos fundamentais para a compreensão da política enquanto disputa no campo simbólico. O entrevero ocorrido na última quinta-feira (11) entre o governador do Estado, Flávio Dino (PCdoB) e o senador da República, João Alberto Souza (PMDB) é um destes fatos da política maranhense que oscilam entre o ridículo e o abominável.

O senador e ex-governador João Alberto, um ancião de 83 anos, estreou na política em 1971, como deputado pela Arena, em plena vigência da Ditadura Militar. Souza recebeu o nada singelo apelido de Carcará (o pássaro que “pega mata e come”, eternizado na canção do xará, João do Vale), pela Operação Tigre, deflagrada com ênfase durante seu governo (1990-1991), resultando em um extermínio de criminosos sem precedentes na história do Maranhão. O governador Flávio Dino foi forjado nos bancos estudantis, envernizado pela fama de aluno brilhante, primeiro lugar em tudo, ex-presidente do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da UFMA, aprovado com destaque em concurso para juiz federal e eleito deputado federal na primeira eleição que disputou.

O fato feio
– O fato ocorreu durante uma cerimônia de duplicação e requalificação da BR-135. Nas presenças do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco, de membros da bancada federal do Maranhão e demais autoridades, o governador adota um tom de autoelogio, em desnecessário cabotinismo. “Nós rompemos aqui o ciclo da falta de estradas, da falta de politicas sociais, da falta de escolas…”, discursava diante de integrantes do grupo Sarney, presentes à solenidade, como os senadores João Alberto, Edison Lobão e o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho – estes últimos em postura de absoluto constrangimento. O discurso logo é interrompido pelo senador João Alberto que, como o dedo apontado para o comunista, esgoela-se: “é mentira! Você é um mentiroso! Você é um mentiroso!”. Flavio Dino completa o pronunciamento anunciando que seu governo também estava rompendo “o ciclo da falta de educação”. O episódio foi de uma cafonice de fazer inveja aos mais bem redigidos capítulos de O Bem Amado.

Nos últimos dias pipocaram artigos em defesa apaixonada do governador. As palavras “mentiroso”, proferidas por Souza, são tiros de espoleta. De um senador que, muitas décadas antes das operações deflagradas pela PF contra políticos, admitiu ser 90% honesto nada poderia ser esperado de diferente. Dino, do alto do mais importante cargo público ocupado no Estado e de um currículo reconhecido, agiu como um menino mimado. E pisou em cima da mais elementar das lições sobre o poder, a de “agir como um rei para ser tratado como tal”. Dono de uma personalidade que se expõe com o furor de uma diarreia, o governador não parece comungar dos ensinamentos de De Gaulle de que “não há prestígio sem mistério”, frase que explica muito sobre estratégia e sobre a compostura exigida aos representantes do povo. Apregoar seus feitos a uma plateia de políticos, predominantemente de oposição, é uma “desconstrução” sem efeito algum ao eleitorado. Qualquer propaganda, por mais singela que seja, deve ser antes de tudo agradável.

O ano eleitoral está apenas começando no Maranhão. E já dá seus primeiros coices.

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