PORQUE NÃO NOS CALAMOS

Quem não quiser ser questionado por jornalistas, evite ocupar cargos públicos. O jornalismo tem como função primordial, embora certos desvios de finalidade que permeiam uma atividade que influencia decisivamente a opinião pública, o INTERESSE PÚBLICO.

O PRESIDENTE JAIR BOLSONARO EM MAIS UMA MANIFESTAÇÃO CHULA, EM DESRESPEITO AOS JORNALISTAS DURANTE COBERTURA DIÁRIA

A sociedade civilizada evoluiu e conquistou mecanismos essenciais à democracia, tais como a Lei de Acesso à Informação, a Transparência, os órgãos de Controle dos Gastos Públicos, a Lei de Responsabilidade Fiscal, os conselhos fiscalizadores de políticas públicas, dentre outros. Exige-se, para o saudável funcionamento de empresas sérias e do regime democrático, modelos exemplares de gestão contemporânea que levam em consideração accountability e compliance, termos que não encontram tradução de exata na língua portuguesa.

Governantes precisam se desvincular do atavismo monárquico. No exercício da administração e no uso dos recursos públicos, têm obrigação de dar explicações e prestar contas. Nós, jornalistas, não somos súditos, embora alguns até se comportem como bobos da corte. A liberdade da atividade jornalística é o termômetro da democracia. Ao contrário, toda ditadura mantém suas engrenagens em funcionamento pelo controle e censura do conteúdo das informações. Mandar calar a boca de comunicadores é como pedir que profissionais de saúde não usem EPIs. E receber uma advertência inconcebível para “calar a boca” de quem se notabiliza no cargo justamente pelo mau uso do órgão que faz abertura do tubo digestivo (cujo destino final sabemos onde é) é uma atitude que merece reflexões mais profundas, além da cultura do ódio tão propagada na atualidade.

Dar coices em jornalistas, que constroem suas narrativas a partir de perguntas, não pode ser prática corriqueira de ocupantes de cargos públicos, de direita, e nem cacoete de líderes de pretensa esquerda. O poder, como sabemos, incha e apodrece. E a humildade, como dizia Santa Teresa de Ávila, “é a verdade”.

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