POR TRÁS DAS MÁSCARAS

O governador Flávio Dino (PCdoB) defendeu em entrevista coletiva, realizada nesta segunda (27), a possibilidade de antecipação da formatura de estudantes da área de Saúde das universidade maranhenses, UFMA, UEMA e UniCeuma. A óbvia demanda por profissionais de Medicina, Enfermagem e áreas afins, em momento de crise causada pela pandemia de coronavírus, é apenas a ponta do iceberg onde o navio chamado Maranhão parece avistar pela frente.

O Jornal Nacional, da TV Globo, chegou a destacar no último sábado (25) a quantidade de profissionais da saúde infectados pelo coronavírus (Covid-19) no Maranhão. De acordo com a reportagem, a cada dez pessoas infectadas pelo vírus no Estado, duas são da área da saúde. Com as atenções voltadas para pacientes e informações escassas sobre o novo vírus, a rotina de médicos, enfermeiros, assistentes sociais e funcionários de UPAS e dos hospitais permanece pouco divulgada, restrita aos agradecimentos aos “heróis da saúde”.

A AUXILIAR DE ENFERMAGEM, MARIA MADALENA BARBOSA, DE 61 ANOS: VÍTIMA DO CORONAVÍRUS TRABALHAVA NA UPA DO VINHAIS E NO SOCORRÃO I

Alto Risco – Se o risco faz parte do dia a dia destes profissionais, o grau de periculosidade é ainda maior considerando as péssimas condições de trabalho nas unidades de saúde públicas do estado. Existem enfermeiros em hospitais públicos do estado que estão trabalhando, em regime de plantão, durante 36 horas seguidas, sobrecarregando e debilitando o próprio organismo. A maioria prefere não se identificar. Os problemas não param por aí. Há médicos que utilizam o mesmo local de repouso de outros médicos durante os plantões. O mesmo acontece com os banheiros compartilhados com todos os profissionais do plantão, com risco iminente de contaminação. Há denúncias de quantidade enorme de profissionais do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), em São Luís, já doentes. Para piorar, um estudo recente aponta a presença do coronavírus no ar em ruas e imóveis próximos a hospitais. O que pode ser dito dos próprios locais de atuação destes profissionais?

Como se não bastassem os relatos de horrores em um estado com uma das menores taxas de UTIs públicas do país, por habitante, de pessoas morrendo pela falta de leitos, respiradores e atendimentos adequados, é ainda pior imaginar o que pode acontecer com o aumento das contaminações e mortes daqueles que têm justamente como missão cuidar e salvar vidas.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *