PAPA FRANCISCO RECEBE RELATO DA SITUAÇÃO EM PIQUIÁ DE BAIXO

Na última sexta-feira (11), o papa Francisco recebeu informações sobre a comunidade de Piquiá de Baixo, localizada em Açailândia (MA), durante o Sínodo para a Amazônia. Representantes da comunidade participam de uma reunião de trabalho junto à ONU (Organização das Nações Unidas) nesta terça-feira (15). A história de Piquiá de Baixo foi apresentada pelo padre Dário Bossi, em Roma, onde ocorre o evento.

“Informamos ao papa Francisco sobre os avanços da resistência e das reivindicações da comunidade de Piquiá de Baixo. Ele escutou com muita atenção, porque durante o Sínodo da Amazônia, pois dá prioridade à escuta das histórias das comunidades, seus sofrimentos e esperanças. Disse que irá rezar por nossa comunidade e nossa caminhada”, relatou o padre.

Cerca de 1.100 pessoas sofrem cotidianamente com a poluição no bairro de Piquiá de Baixo. A comunidade já existia há pelo menos 15 anos antes da chegada das Siderúrgicas Viena, Fergumar, Pindaré, Simasa e Gusa Nordeste, que se instalaram a partir do final dos anos 80, com as operações cotidianas de produção de ferro-gusa, que provocam até os dias atuais uma forte poluição do rio, ar e solo prejudicando a saúde dos moradores. O bairro também sofre impactos gerados pela da Estrada de Ferro e do entreposto de minério da Vale S.A. Laudos técnicos já atestaram, desde 2007, a inviabilidade da convivência entre as indústrias e assentamentos humanos naquela localidade.

COMUNIDADE DE PIQUIÁ DE BAIXO, EM AÇAILÂNDIA (MA), SOFRE OS DANOS DA DEGRADAÇÃO AMBIENTAL CAUSADA PELAS EMPRESAS, TAIS COMOS PROBLEMAS DE SAÚDE E ATÉ ÓBITOS.

Situação permanece – Estudos recentes com moradores de Piquiá de Baixo têm atestado o alto índice de enfermidades, especialmente respiratórias, de pele e de visão, muitas delas levando moradores a óbito ou a comprometimentos permanentes. Há cerca de oito anos foi iniciada uma negociação, conduzida pelo Ministério Público do Estado do Maranhão, em vista do reassentamento coletivo de toda a comunidade. Um documento com as “Diretrizes para o Reassentamento de Piquiá de Baixo”, elaborado ainda em 2010, tem servido como principal referência para a tomada de medidas progressivas rumo à concretização do reassentamento de 312 famílias.

A partir de intensa mobilização popular, com ocupações da BR 222, nas portarias das empresas siderúrgicas, denúncias à Organização das Nações Unidas (ONU), a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, o caso de Piquiá de Baixo alcançou visibilidade e apoio em nível nacional e internacional, levando as empresas, consideradas responsáveis pelas violações socioambientais, a uma mesa de longa negociação extrajudicial, mediada pelo Ministério Público Estadual e a Defensoria Pública Estadual do Maranhão. Porém, a situação permanece a mesma, com sequelas graves aos moradores da comunidade.

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