OS AUSENTES DA LISTA DE PRESENTES

Os últimos dias do ano se sucedem com a euforia consumista e repetitiva de todos os anos. O Natal do Cristo, mestre da mensagem amorosa por excelência, é pisoteado pela festança do ilusório Noel, eurocêntrico, símbolo da abastança, dos presentes. O Natal é de Jesus, mas o trânsito do cão. Lojas e shopping centers , que passaram boa parte de mais um ano de crise econômica agonizando, renascem com as transfusões de crédito ou débito.

Mesas fartas, para alguns e corações vazios de espiritualidade para a maioria. Nesta época do ano, o número de registro de suicídios ou de tentativas também aumenta em diversos países do mundo. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV), organização não governamental que oferece apoio emocional e prevenção do suicídio 24 horas por dia, o número de ligações recebidas costuma aumentar em média 15%. em dezembro. Melancolia e depressão costumam frequentar as festas de final de ano.

NOS SINAIS DE TRÂNSITO, FAMÉLICOS FANTASIAM-SE, ALIMENTADOS PELA ESPERANÇA NATALINA

Para completar a falácia do velho obeso, de bochechas rosadas, Brasil e Venezuela lideram o ranking de extrema pobreza na América Latina. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) contabilizou 13,5 milhões de esquálidos, sobrevivendo com até 145 reais mensais. O número de miseráveis vem crescendo desde 2015. 4,5 milhões de pessoas caíram para a extrema pobreza, passando a viver em condições miseráveis, a partir de 2014. No Maranhão, pobre de marré deci, expressão do tempo da janabura, 223 mil pessoas a mais passaram a viver na extrema pobreza, nos últimos dois anos (2016 e 2018).  

CONHECIDO COMO “CATA-LATA”, RIBAMAR VIVE DE ALUGUEL SOCIAL E DO OFÍCIO QUE LHE SERVE DE NOME

Nos municípios mais pobres do país, ainda prevalece a tradição da ilusão: famélicos fantasiam-se de noélicos, nas ruas, nos sinais de trânsito, implorando por migalhas da ceia natalina. Mais uma década se vai. E o Brasil descendo a ladeira…  com o Maranhão a reboque.

Texto e fotos: Flávia Regina

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