MULHERES DAS MARÉS, DAS ÁGUAS E DOS MANGUEZAIS

Em cada produto exposto, a história de vida das mulheres das marés e dos manguezais. A riqueza desse meio ambiente é representada pelo manguezal que entrelaça comunidades humanas, os chamados “povos da água”, em especial as mulheres, as quais criam vínculos com esse bioma e desses vínculos, consequentemente, nascem e renascem histórias de vida e do manguezal.

Para conhecer um pouco mais sobre essa realidade, acontece neste sábado (31) a Feira dos Produtos dos Manguezais Amazônicos do Maranhão e Piauí, das 8h30 às 17h, em frente à Casa do Maranhão, na Praia Grande.

Entre os produtos expostos: peixe, camarão, sururu, caranguejo, artesanato, óleos, azeites, doces, remédios caseiros e mais.  O objetivo é proporcionar ainda mais visibilidade a essa produção sustentável, tradicional e oriunda do extrativismo familiar.  A organização é da Rede de Mulheres das Marés e das Águas dos Manguezais Amazônicos do Maranhão e Piauí. Cerca de 30 mulheres devem participar dessa atividade em São Luís. A Feira contará também com atrações culturais femininas e segue até às 17h.

A feira vai além dos produtos. Busca mostrar a força das mulheres que se relacionam com as águas das marés e dos manguezais (as chamadas marisqueiras). Um  aprendizado adquirido no dia a dia com a família e na lida com os filhos dessa rica personagem que, muitas vezes, é a única provedora da família. Defende-se aqui o resgate cultural, resgate da cultura local dos contos, músicas, saberes que devem ser preservados como identidade cultural das comunidades ribeirinhas, para que não sejam extintos.

De acordo com Kátia Barros, que faz parte da Rede, “são mulheres de maretórios de Reservas Extrativistas criadas em torno de parques nacionais e outros maretórios”.  A liderança comunitária de São Luís, da Reserva Extrativista Tauá-Mirim, dona Maria Máxima, completa que “essas mulheres se unem com objetivo de se fortalecer e atuar no combate às inúmeras ameaças a estes ecossistemas, na luta pelos seus direitos, por políticas públicas e pela comercialização dos seus produtos através da economia solidária e do comércio justo”.  Cerca de 120 mil pessoas dependem diretamente da pesca e atividades associadas para sua sobrevivência nesta região, garantindo sua produção e reprodução social, cultural, religiosa e afetiva com este ecossistema.

DONA MÁXIMA, DA RESEX TAUÁ-MIRIM: LUTA PELA PRESERVAÇÃO DOS TERRITÓRIOS

Manguezais do Maranhão – Mesmo com a crescente perda da área de mangue – 50% apenas em São Luís – o Maranhão é o estado brasileiro que mais possui manguezais a nível nacional. A região é responsável por 36% do ecossistema no Brasil, seguido do Pará (28%) e Amapá (16%). As áreas são importantes para amenizar o efeito estufa, além de funcionar como barreiras naturais contra a erosão. Os dados fazem parte do Atlas dos Manguezais do Brasil, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo as análises, a área do ecossistema situada no norte brasileiro constitui a maior porção contínua sob proteção legal em todo o mundo.

O Estuário do Rio Amazonas e Seus Manguezais Amazônicos se estende do estado do Amapá até a cidade de Barroquinha no Ceará, na Área de Proteção Ambiental do Delta do Parnaíba. Composto por florestas de mangue, apicuns e áreas com diferentes usos, este importante ecossistema abriga atividades extrativistas tradicionais como pesca, mariscagem, catação de sururu e caranguejo, além de turismo de base comunitária. Estas atividades são muito importantes na garantia de alimento, renda, direito ao trabalho e segurança alimentar para boa parte da população nesta região.

São nestes manguezais amazônicos, lugar de vida, que produzem e se reproduzem socialmente as mulheres das marés e das águas dos manguezais amazônicos, responsáveis pela segurança alimentar da maioria das suas famílias e também de grande parcela da sociedade.

Fotos e texto: Inspirar Inovação e Comunicação

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