MORADORES DE AURIZONA VIVEM HÁ UM MÊS COM ÁGUA SUSPEITA DE CONTAMINAÇÃO

A mineração brasileira deverá receber investimentos estimados em 38 milhões de dólares, entre 2021 e 2025, segundo um levantamento do Instituto Brasileiro de Mineração. O mundo das cifras milionárias, abastecidas pela exploração do solo do país, é bem distante da realidade de milhares de pessoas que vivem no entorno das minas, barragens e de projetos instalados com promessas de suposto desenvolvimento para as comunidades.

MORADORES PROTESTAM CONTRA MINERADORA EM GODOFREDO VIANA

O distrito de Aurizona, localizado no município maranhense de Godofredo Viana, é uma dessas comunidades. As 1.500 famílias estão há um mês sem água potável, após um temporal com suspeitas de rompimento de uma barragem da Equinox Gold, empresa canadense líder no setor nas Américas, instalada na região. As fortes chuvas provocaram inundações na mina, resultando na contaminação do principal reservatório de água potável, que abastecia a população, além de graves impactos aos recursos naturais da localidade, como manguezais e um afluente do rio Cachimbo.

MORADORES MOSTRAM EM VÍDEO A SITUAÇÃO EM AURIZONA

Suspeitas de contaminação – Apesar de negar, em nota oficial, o rompimento da barragem, a empresa fez a limpeza dos filtros da estação de tratamento atingida e distribuiu água em carros pipas, logo após o acidente. Como a água foi insuficiente para toda a comunidade, provocando protestos, foi instalada uma caixa d’água próxima à estação de tratamento.

Mas os moradores denunciam que a água é suja, com mau cheiro e cor escura. Eles suspeitam que é água contaminada com resíduos da mineração, vinda do reservatório da empresa comprometido após o problema.  Há ainda outras denúncias de que casas estão com inúmeras rachaduras devido às explosões de dinamites na mina. As famílias convivem diariamente com o medo e a insegurança.

JÔNIAS RIBEIRO, MORADOR DE AURIZONA, MOSTRA AO BLOG DETALHES DO LOCAL ONDE ACONTECEU A INUNDAÇÃO

Após um mês do acidente, os moradores de Aurizona, com apoio do Movimento dos Atingidos por Barragens (MABE), realizam um ato simbólico em caráter de denúncia, neste domingo (25), em São Luís, na feira da Cohab, às 8 horas da manhã.

“Nos últimos dias, só piora a situação. A gente esteve na região e testemunhou. Se considerarmos, ao pé da letra, o que significa o rompimento de uma barragem, esse reservatório de onde estão trazendo a água para comunidade também está contaminado, assim como as demais fontes de água. E isso também é mais um crime ”, afirma Dalila Calisto, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MABE).

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