MINHA ARMA É MEU PAU!

O jornalista maranhense Jorge Abreu estilhaça a nova era de extremismos instalada no paiol da nação. A pauta da semana, a assinatura de um decreto governamental, que facilita o acesso ao portes de armas aos cidadãos brasileiros, é aqui neste espaço convertida em crônica indignada e irônica, apontada para a cara dos caretas. Abreu, que acaba de publicar o primeiro livro de poesias com o título Danações (lançamento em São Luís previsto para este semestre), mata a cobra e mostra o pau na melhor definição simbiótica entre falo e fala: “A fala é minha arma. Minha arma é a palavra. Minha arma é meu pau”, aponta.

MINHA ARMA É MEU PAU!

Veja bem o quadro, que antes era negro, que já foi verde, que hoje é branco e agora é tela de smartphone, iphone, notebook, tablet ou seja lá que geringonça o mundo virtual ofereça.

Repare bem nos dados dos jogos que eles jogam na surdina, em seus palácios, em suas casernas, em seus apartamentos com torneiras banhadas a ouro, em suas guaritas de proteção, em seus carros de luxo, em suas mansões digitais, em suas viaturas, em seus camburões

Até que ponto eles sabem das barrigas imensas dos moleques e das molecas que vendem ovos de codorna pelos bares da vida? Barrigas imensas de vermes ou chapadas de fome, meninos e meninas que envelhecem a cada segundo por falta disso e daquilo. Até que ponto isso interessa pra eles? Falam em taxas de homicídios, em violência e não mencionam a falta de comida, a falta do pão, do arroz, do feijão, da farinha?

Aí vão dizer que eu sou um burguês, que gosta de comer peixada de pescada e camaroada no dia do aniversário. E eu admito que sou, mas não estou sozinho, eu penso e outros também pensam. Não sou de ficar aceitando o que me jogam na cara como se tudo isso que eles dizem fossem verdades absolutas.

Eu tenho direito à voz, à fala e a fala é minha arma.

E você? Que arma vai usar a partir de agora? Uma “prosaica” pistola pra matar o seu marido na descoberta da primeira traição? Um “prosaico” revólver pra cair de balas na esposa que resolveu te “desafiar”? Um “prosaico” rifle para esfacelar o rosto do filho que usa vestido e passa batom? Ou o rosto da filha que decidiu casar com a filha do seu melhor amigo? Uma “prosaica” espingarda para acabar com a vida de quem ouse entrar na sua sagrada propriedade para apanhar um caju ou uma manga verde pra comer com sal? Ou coco babaçu como fazem os latifundiários do Maranhão com as quebradeiras?

Minha arma é a palavra! Minha arma é meu pau!

Jorge Abreu

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