Marqueteiros ou Matraqueiros?

A hiperinformação e a midiatização digital da sociedade são irreversíveis. Os impactos na política oscilam entre o funcional, na busca por notoriedade ou, em alguns casos, beiram o ridículo. O Maranhão não foge à regra. Qualquer vereador de município onde não há sequer acesso à internet nos povoados mais distantes, tem suas redes sociais devidamente alimentadas com conteúdos gerados diariamente, ainda que seja o velho “feijão com arroz” das efemérides.

DEPUTADO FEDERAL JOSIMAR DE MARANHÃOZINHO, “CAMPEÃO” DA BANCADA FEDERAL EM NÚMERO DE SEGUIDORES: MAIS DE 67 MIL

As campanhas eleitorais vêm sendo cada vez mais antecipadas no meio digital, a partir das eleições da pandemia, de 2020, quando se esperava que a covid-19 iria acabar com as aglomerações nas ruas em busca de votos e que as redes sociais substituiriam o corpo a corpo. Não foi o que sucedeu. Mas, a partir do ano passado, o que era um plus passou a ser regra e parte dos compromissos obrigatórios da agenda dos candidatos: as postagens em redes sociais. Cards, vídeos, animações e montagens em aplicativos como o Tik Tok vêm multiplicando a exposição na mídia, antes restrita às entrevistas “cavadas” pelas assessorias de imprensa. As figurinhas do aplicativo whatsapp também invadiram o terreno eleitoral, com um tom que mistura apelos, exageros a memes desatualizados.

STICKERS INVADEM A MAIOR MÍDIA DO BRASIL, O WHATSAPP
GRUPO NO WHATSAPP JÁ ANTECIPAM A PROPAGANDA ELEITORAL DE 2022
FIGURINHAS DE POLÍTICOS VIRALIZAM HÁ MAIS DE UM ANO DAS ELEIÇÕES

Pelas redes sociais, é possível ficar atualizado e saber mais do que as atividades do político: “marocar” pré-candidatos se exercitando em academias, em busca da musculatura da popularidade, e até mesmo saber quem é a nova namorada de uma ou outra autoridade. A subjetividade rende acessos. O lado “humano” dos parlamentares ou governantes também provoca engajamento. O cartaz do mais novo lançamento da cantora Anitta, que viralizou entre os famosos, recebeu adesão até mesmo de secretários do governo Flávio Dino.

FRANCISCO GONÇALVES, SECRETÁRIO DE DIREITOS HUMANOS DO ESTADO ENTROU NA ONDA: “VIRAL” CONTRA O CORONAVÍRUS

Era Pós-digital – O problema é que a propaganda digital de um parece cada vez mais com a de outro. A novidade se transformou em lugar-comum, com profissionais despreparados para lidar com a velocidade das mudanças. E já discute, na atualidade, que o Marketing e a Comunicação vivem a era pós-digital. É preciso expertise para tratar do ativo mais valioso da atualidade, a reputação. Uma fórmula que deu certo com alguém pode se revelar desastrosa para outro.

Outras variáveis pesam. Exemplos emblemáticos são do ator e humorista Paulo Gustavo, que faleceu na última terça-feira após complicações causadas pela Covid-19 e da advogada e maquiadora Juliette, vencedora da última edição Big Brother Brasil. Um humorista que veio da classe média e, mesmo morando em uma cobertura de 20 milhões de reais no metros quadrados mais caro do Brasil, Leblon, Rio de Janeiro, falava como se fosse um amigo destes que a gente faz certas confidências.

E uma “brother” que, diante das onze câmeras espalhadas pela casa, jamais deixou que o autêntico jeito de ser se sobrepusesse às estratégias de jogo. Além de ganhar 1,5 milhão de reais, conseguiu a proeza de sair com quase 24 milhões de seguidores no Instagram, já alcançando até a data de hoje 26 milhões – o que, na prática – significa faturamento. Cases que merecem ser estudados porque vão além do fator global como fábrica de celebridades.

A política não é um reality show. Mas com o protagonismo proporcionado pela web e redes sociais, o eleitorado passou a ter maior participação, atuando fortemente na “eliminação” de muitos candidatos.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *