MARCHA DA PERIFERIA DE SÃO LUÍS DENUNCIA GENOCÍDIO DE NEGROS, INDÍGENAS E CRIMES AMBIENTAIS

A XIV Marcha da Periferia de São Luís acontece nesta sexta-feira (22), na Praça Deodoro e traz o tema: “contra o genocídio afro-indígena e em defesa do Meio Ambiente”. A concentração será às 17h, no mesmo local, encerrando com o 30º Festival de Hip Hop Zumbi.

A Marcha da Periferia é um evento que se realiza há 14 anos, sempre em novembro, mês intitulado pelo Movimento Negro como “Novembro Negro”, por celebrar datas importantes do calendário de negritude, a exemplo da Revolta da Chibata (22.11) e do Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher (25.11), em memória das irmãs Mirabel, assassinadas durante o enfrentamento da ditadura de Trujillo na República Dominicana. Os temas costumam ser relacionados à conjuntura política, associados à questão negra e aos problemas sociais que atingem a população pobre, negra e indígena. O movimento tem servido para mobilizar movimentos populares e sindicais, com o apoio da juventude.

O tema de 2019 denuncia o aumento da violência, no últimos anos, que tem como alvo a juventude negra, os indígenas, quilombolas, LGBT´s e mulheres como principais vítimas. Entre os quilombolas, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, a CONAQ, destaca que nos últimos dez anos, o ano de 2017 foi mais violento para as comunidades, com 18 assassinatos registrados, além de perseguição, intimidação e ameaças constantes a esse povo.

O AUMENTO DO NÚMERO DE ASSASSINATOS DE INDÍGENAS NO BRASIL INCLUIU CONFLITOS VERIFICADOS NO MARANHÃO


Números criminosos – Dados de 2018 do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) apontam que aumentou em 22,7% o número de indígenas assassinados no país. Em 2017, foram assassinados 110 indígenas, número que em 2018 subiu para 135. Em três décadas, foram 1.119 casos de mortes de indígenas no país, segundo o Relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, de 2018. Há ocorrência de massacres contra os povos guaranis Kaiowás e os Terenas no Mato Grosso do Sul. Os Pitaguary, no Ceará, são alvo de reintegração de posse, assim como os Tupinambás, na Bahia, e Gamelas e Tremembés, no Maranhão, que lutam pela demarcação de seus territórios, sendo alvos de constantes invasões. O assassinato do líder indígena Paulo Paulino Guajajara, um guardião da Floresta, ocorrido no último dia 1º de novembro, em uma emboscada por madeireiros em Terra Indígena Arariboia, no Maranhão, foi uma tragédia anunciada. A área é constantemente invadida por madeireiros, que cortam e retiram árvores ilegalmente, causam desmatamento, dentre outras ilegalidades. Por isso existe uma política de proteção da floresta pelos próprios indígenas, que se autointitulam Guardiões da Floresta. Eles patrulham e protegem o território, prendem madeireiros ilegais e os entregam nas delegacias mais próximas.

As evidentes violações de direitos e os crimes ambientais, a ausência de demarcação de terras indígenas e quilombolas, a exploração de territórios visados pelo agronegócio, pelos latifundiários, empresários e políticos ruralistas que buscam lucrar com estas terras são fatos que serão expostos na Marcha da Periferia de São Luís 2019.

“Por isso, no dia 22 de novembro, marcharemos unidos, mulheres e homens negros, indígenas, estudantes, trabalhadores rurais e urbanos, camponeses, extrativistas, LGTBQ´s, imigrantes, todos que são vítimas desse Estado xenófobo, racista, machista, homofóbico e assassino. Se junte a esse grito! Traga sua bandeira para a concentração na Praça Deodoro, a partir das 17h. Parem de nos matar! Contra o Genocídio Afro-Indígena! Contra o Extermínio da Juventude Negra! Bolsonaro sai, a Amazônia fica!”, diz o manifesto da organização do evento.

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