MARANHÃO NA LISTA DOS PIORES ESTADOS NO RELATÓRIO DE POBREZA MENSTRUAL NO BRASIL

O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançaram nesta sexta-feira, 28 de maio, Dia Internacional da Dignidade Menstrual, um relatório sobre a situação da realidade menstrual vivida por meninas brasileiras. A pesquisa “Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violações de direitos” aponta a existência de 713 mil meninas vivendo sem acesso a banheiro ou chuveiro nos seus domicílios e mais de 4 milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas.

O estudo é feito a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE), Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), acervo bibliográfico e traz um retrato das históricas desigualdades de gênero, raça, região e classe social no país, “agravadas em tempos de crise sanitária e econômica”. Os resultados demonstram que as meninas brasileiras também estão sob situação de grande vulnerabilidade, sem serviços básicos essenciais para garantir a dignidade menstrual. 900 mil não têm acesso a água canalizada em seus domicílios e 6,5 milhões vivem em casas sem ligação à rede de esgoto.

DADOS DO RELATÓRIO DETALHAM SITUAÇÃO DO MARANHÃO

Maranhão no relatório – Em relação aos estados do Brasil, Roraima, Mato Grosso, Acre, Espírito Santo, Pará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e no Distrito Federal possuem mais da metade das alunas do 9º ano, parcialmente desatendidas em pelo menos um dos itens investigados para a higiene pessoal nas escolas. Quanto a estar totalmente desassistida, os estados com maiores percentuais: são Acre (5,74%), Maranhão (4,80%), Roraima (4,13%), Piauí (4,00%) e Mato Grosso do Sul (3,61%). O estado aparece em 130 lugar no ranking de estados com meninas do 9 ano sem itens básicos de higiene nas escolas segundo o relatório “Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violações de direitos”.

RELATÓRIO LANÇADO NESTE 28 DE MAIO, DIA INTERNACIONAL DA DIGNIDADE MENSTRUAL

Entre os problemas que caracterizam a pobreza menstrual estão: a falta de acesso a produtos adequados para o cuidado da higiene menstrual, tais como absorventes descartáveis, absorventes de tecido reutilizáveis, coletores menstruais descartáveis ou reutilizáveis, calcinhas menstruais, além de papel higiênico e sabonete, entre outros; questões estruturais como a ausência de banheiros seguros e em bom estado de conservação, saneamento básico (água encanada e esgotamento sanitário); falta de acesso a medicamentos para administrar problemas menstruais e/ ou carência de serviços médicos, entre outros.

No Maranhão com históricos indicadores de pobreza, a triste situação da pobreza menstrual é ainda mais degradante considerando que pouco mais da metade, 55,39% dos domicílios possuem rede de água e somente 13,15% da população possui coleta de esgoto segundo o Instituto Trata Brasil. O estado possui 18,7%% das residências sem banheiro de uso exclusivo do domicílio, segundo a Síntese dos Indicadores Sociais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/2018).

Recentemente, o Governo do Estado se comprometeu a combater o problema da pobreza menstrual. Em uma live com a deputada federal Tabata Amaral, autora do projeto de lei nº 428/2020, que propõe distribuir absorventes higiênicos em espaços públicos, o secretário de Educação Felipe Camarão informou que o estado vai aderir à proposta. A estimativa é que entre 150 a 160 mil alunas de escolas públicas sejam beneficiadas com a distribuição mensal de absorventes. A iniciativa é fundamental e merece o reconhecimento popular. Um em cada 4 adolescentes já faltou a aula por falta de absorvente.

Foto: Mídia Ninja

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