MARANHÃO NA LISTA DE ESTADOS QUE NÃO DIVULGAM RAÇA DE MORTOS pela polícia

Os números do Monitor da Violência 2020, um trabalho de parceria entre o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Núcleo de Estudos da Violência da  Universidade de São Paulo (USP), divulgados nesta quinta-feira (22) mostram o Maranhão como um dos onze estados brasileiros que não divulgam informações sobre a raça de mortos em conflitos policiais.

O levantamento feito pelo portal G1 mostra que a raça de 2.064 das 5.660 pessoas mortas pela polícia brasileira, em 2020, não é conhecida – o que corresponde a 36% do total. Considerando somente os estados em que a raça é divulgada, os números revelam que 78% dos mortos pelas polícias são negros. 2.815 pessoas das 3.596 vítimas são negras.

MARANHÃO É UM DOS ESTADOS QUE NÃO FORNECEM DADOS SOBRE RAÇA ENTRE MORTOS

A omissão é um atestado de indiferença do governo estadual à questão do genocídio da população negra no país, tema de um debate fundamental na atualidade. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 56,10% das pessoas que se declaram negras no Brasil. No Maranhão, segundo o IBGE, cerca de 74% da população é formada por negros.

“Apagão” de Dados – Além da ausência do recorte de raça nas estatísticas fornecidas pelo Estado, existe um “apagão” de informações importantes para a execução de políticas públicas que se distanciem da necropolítica em vigor no bolsonarismo atual.

“O que a Secretaria de Segurança Pública do Estado faz é a pura e simples compilação de estatísticas para uso próprio e apenas divulga dados relativos a mortes violentas intencionais na Região Metropolitana de São Luís. Não há dados estaduais divulgados publicamente e, mesmo esses dados relativos a São Luís, não contemplam vários indicadores (de gênero, de cor/raça) de modo que possam fornecer um quadro abrangente e estatístico no conjunto do estado do Maranhão”, relata o pesquisador e professor de História da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Wagner Cabral.

O PORTAL DA SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA “PROMETE” DADOS SOBRE O INTERIOR DO MARANHÃO OCULTADOS HÁ ANOS

Cabral  explica que desde 2015, logo no primeiro semestre do primeiro mandato do atual governo, houve um seminário com a participação da Secretaria de Direitos Humanos, Secretaria de Segurança Pública, do Ministério Público, com membros do Judiciário, participação da sociedade civil e da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH).

“Nós apresentamos uma proposta de montagem de um sistema estadual de estatísticas sobre violência, mortalidade, com inúmeros indicadores. Infelizmente, ao final do seminário, o governo anunciou a formação de uma comissão que nunca foi convocada, que nunca se reuniu desde então”, afirma.

PROFESSOR UNIVERSITÁRIO WAGNER CABRAL: SEGURANÇA DO ESTADO NÃO FORNECE DADOS SUFICIENTES PARA QUADRO ABRANGENTE DA VIOLÊNCIA NO MARANHÃO

O historiador o e membro da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos afirma que no Maranhão não há informações oficiais sobre mortes de LGBTs, por exemplo, ou indicadores relativos à cor e raça que possam servir para a discussão e o diálogo sobre essas questões. “O  governo tem, inclusive, se negado a fornecer  esses dados. Nossos pedidos não tem sido atendidos”, denuncia em entrevista exclusiva ao blog Buliçoso .

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