INTEGRAÇÃO DE DADOS É ARMA CONTRA O CORONAVÍRUS, MAS ESTADOS E MUNICÍPIOS TÊM DIFICULDADE EM LIDAR COM INFORMAÇÕES

A pandemia da Covid-19 atingiu a humanidade no ápice da Sociedade de Informação. Além de configurar-se como capital valioso na atualidade, a informação é um dado estratégico para a tomada de decisões. Mesmo em meio à praga da editorialização das notícias em blogs e redes sociais, o jornalismo de dados aparece como ferramenta necessária à apuração de evidências. Contra os dados não há argumentos!

Sobre o assunto, uma matéria publicada pelo jornal baiano, A Tarde, ressalta a importância da integração de dados sobre a pandemia do coronavírus como “aliada do poder público na tomada de decisões para combater o avanço da doença”.

Ao reunir e cruzar informações, como localização de contaminados, movimentação de pessoas nas ruas, ocupação e distribuição de leitos, os gestores podem definir, com mais precisão, se intensificam ou relaxam medidas, por exemplo. O cruzamento de dados tem sido fundamental em outras instâncias e órgãos como os de investigação e institutos de pesquisa. Porém, Governo Federal, estados e municípios têm encontrado dificuldades para lidar com o processamento e a análise de dados diante da quantidade e da rapidez de informações relacionadas ao coronavírus e da velocidade das contaminações.

REDE COVIDA: COLETIVO CRIADO PARA AGLUTINAR PESQUISADORES E COMUNICADORES EM TORNO DE CIÊNCIA, INFORMAÇÃO E SOLIDARIEDADE NA PANDEMIA

Uso dos dados – A matéria aponta a “falta de cultura de integração de dados no Brasil”. Dois pesquisadores ouvidos pelo jornal avaliam que é preciso buscar parcerias com outras entidades para robustecer e qualificar as informações. Um exemplo de organismo criado em plena pandemia, exatamente para utilizar de forma a promover soluções e contribuir é a Rede CoVida, iniciativa do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz-Bahia) e da Universidade Federal da Bahia (Ufba), formada por jornalistas e pesquisadores brasileiros. A CoVida criou um painel para monitoramento do coronavírus no país, com atualização em tempo real. A plataforma é usada, por exemplo, pela Sala de Situação de Combate à Pandemia do Governo da Bahia.

“Essas parcerias vêm no vácuo dessa necessidade dos gestores, dessa falta de manejo com o dado. A importância desses grandes painéis de visualização se dá porque os governantes e as equipes das secretarias não estavam preparados para lidar com a pandemia e esse volume de dados, produzidos anteriormente de forma fragmentada”, analisa Robespierre Pita, pesquisador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para a Saúde (Cidacs/Fiocruz).

Professor de comunicação e design na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e pesquisador do Lab404/Ufba, Daniel Marques traz um exemplo concreto de como a integração de dados pode ajudar na gestão de leitos.

“De um lado, você tem uma base de dados com os leitos de UTI disponíveis, as UPAs preparadas para diagnosticar e atender casos leves, os hospitais de campanha montados. Agora, imagina que você tem outra base de dados, que mede sintomas e a geolocalização. Você diz para um aplicativo onde está e declara seus sintomas. De um lado, tenho uma base sobre leitos disponíveis. Do outro, tenho dados geolocalizados de pessoas com graus diferentes de sintomas. Quando você cruza essas bases, você gera inteligência de que eu tenho tantas pessoas precisando de atendimento e tenho esses espaços aqui preparados para atendimento”, descreve Marques. Ele também aponta a necessidade de transparência governamental no uso e divulgação dos dados para que a população tenha confiança ao usar esses aplicativos e repassar informações pessoais.

Segundo Pita, a situação da pandemia mostrou que as gestões públicas precisarão adotar outra postura em relação à inteligência de dados. Na avaliação dele, não é possível tomar ações mais efetivas neste momento, com a escalada da contaminação, mas é necessário pensar em iniciativas para o pós-Covid. “A partir de agora, esperamos o estabelecimento de uma cultura de decisões em bases de dados, e que eles sejam colhidos a partir de conceitos como cidades inteligentes, big data, inteligência artificial e até o próprio business intelligence. Se a gente não tem uma gestão que se mune desse conceito e gasta um pouquinho para ter essa gestão de dados, a gente terá problemas futuros”, analisa.

O Maranhão deixar de lado a cultura narcisística da promoção e propaganda na gestão pública e avançar na integração de dados. Monitoramento não basta. É preciso aglutinar informações para a busca de soluções. Comunicação é, essencialmente, um campo e uma atividade de mediação

Com informações do jornal A Tarde

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