ESTACIONAMENTOS EM LUGARES PÚBLICOS DE SÃO LUÍS ESTÃO SENDO “PRIVATIZADOS” POR PARTICULARES

As intervenções feitas pela Prefeitura de São Luís, na Praça Deodoro e na Rua Grande, não trouxeram efetivamente nenhuma mudança estrutural no Centro da cidade. Os meses de demora na conclusão das obras resultaram na retirada de todas as bancas de revista da principal praça da região central da capital e na implementação das curiosas bolas de cimento (balizadores).

Há muitas décadas, a política dos “paliativos” tem predominado no município mais importante do Maranhão. Não há um conjunto de ações planejadas, mas obras pulverizadas em um ou outro local: um tapa-buraco aqui, um conserto ali, uma reforma e as tais “revitalizações”, palavra da moda no jargão do embromation. A Fonte das Pedras, antigo reduto para sexo ocasional, moradores de rua e dependentes de drogas, foi totalmente reformada pela gestão Edivaldo Holanda Júnior. No entanto, hoje quem passa pelo local só encontra um guarda municipal e um ponto sem turistas, completamente isolado e vazio.

Quem trafega pelo centro da capital maranhense enfrenta o mesmo problema de muitas cidades brasileiras: a falta de ofertas de estacionamento. Em São Luís, porém, a situação é ainda pior – não apenas por se tratar de um cidade histórica, edificada a partir do século XVII, cujo traçado urbano de origem portuguesa se manteve inalterado por 300 anos – mas pela completa ausência de regulamentação das áreas públicas disponíveis para estacionar.

AS VAGAS EM LOCAIS PÚBLICOS DO CENTRO OCUPADAS POR CONES DOS QUE SE AUTODENOMINAM “DONOS”

A antiga Zona Azul, administrada pela Prefeitura, foi extinta e nenhuma outra iniciativa para ordenar os locais destinados a carros foi implantada. O resultado é que as poucas vagas agora estão sendo reservadas por comerciantes ou guardadores de veículos, que utilizam cones velhos para “guardar” os espaços. O motorista que chega às ruas paralelas ou transversais à Rua Grande vai encontrar sempre todas as vagas ocupadas por cones, a serem retirados somente mediante negociação com o “dono”.

A cultura do ser dono de alguma coisa no Maranhão remonta a tempos coloniais. João Lisboa, escritor, jornalista e político maranhense, dizia: “Ah, grande Maranhão! Tens bojo para tudo!”  

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