ECOS DO EQUÍVOCO

Manifestações de rua são absolutamente legítimas em uma democracia. Ainda que os motivos para protestos sejam estapafúrdios e ao arrepio das conquistas asseguradas pelos regimes democráticos, tais como um parlamento livre, o Congresso Nacional e uma corte suprema para assegurar o cumprimento das garantias da Carta Magna, o Supremo Tribunal Federal (STF).

No domingo (15), o bolsonarismo foi às ruas, mais uma vez, pedindo o fechamento do STF e do Congresso, com camisas da CBF – alçadas a símbolo torto nacional – além de outros trajes e adereços verdes, a revelar certa imaturidade, ao contrário da generosa natureza e amarelos, de vergonha por uma despudorada ignorância em torno dos processos históricos que forjaram a nação brasileira.

Vergonha nacional – O vexame nacional ficou a cargo dos bolsonaristas maranhenses em completa sintonia com o líder máximo dos seguidores, o presidente da República Jair Bolsonaro. Em carros de luxo, BMWs, Jeeps e outros, eles trafegaram pela área mais nobre da capital maranhense, a Avenida dos Holandeses, a Ponta da Areia, a Avenida Litorânea, portando balões com as cores da bandeira, apitando freneticamente e usando (inutilizando) máscaras cirúrgicas ou hospitalares com se fossem máscaras de carnaval. Com um microfone na mão, alguém chamava o coronavírus de “fake news criado pela China”.

“Tudo isto é mentira! Eu tenho o vírus da gripe no meu corpo, e você também tem. Todo mundo tem. Coronavírus nunca matou uma pessoa na face da Terra. E não vai matar. Velhos morrem porque têm pneumonia e outras coisas mais. Não tenho medo do caronavírus”, declarava um lunático. A afirmação virou motivo de piada em matéria no jornal Folha de São Paulo, que trouxe ainda como manchete de capa a ida do presidente à manifestação, ignorando o vírus.

USO DE MÁSCARAS HOSPITALARES FAZIA PARTE DO PROTESTO, INUTILIZANDO UM EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO IMPORTANTE AOS NECESSITADOS

Mesmo com integrantes da comitiva de sua última viagem ao exterior, incluídos entre suspeitos e confirmados de contaminação pelo vírus Covid-19, Bolsonaro foi às ruas, desobedecendo recomendações médicas e colocando em risco a si mesmo e as pessoas que cumprimentou. Como se não bastasse o ato considerado irresponsável por diversas autoridades da República e pela imprensa, classificou de “histeria” e “extremismo” as medidas para conter a doença já classificada como pandemia pela O.M.S. (Organização Mundial de Saúde).

NA ÁREA NOBRE DE SÃO LUÍS, MANIFESTANTES PRÓ-BOLSONARO BUZINAM COM SEUS CARROS DE LUXO

À frente, a irresponsabilidade e a imbecilidade personificadas por gestos, atitudes e declarações da maior autoridade do país seguida por uma massa elitizada, de gosto duvidoso, que se dispõe a ir às ruas para pedir a marcha à ré na história do Brasil e a acreditar que é fake news um vírus responsável pela morte 6.507 mortes até hoje (16).

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *