CRÔNICA PARA BOI ACORDAR

O blog traz a crônica aguda de Rogério Almeida, maranhense que vive um exílio intelectual no Pará, onde é professor e pesquisador na Universidade Federal do Oeste do Pará. Jornalista, formado pela UFMA, mestre em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido pela Universidade Federal do Pará, ele coordena a publicação Arenas Amazônicas, textos que narram ações coletivas de negros, mulheres, periferia, cultura e resistência. Nesse clima junino de máscaras, sem couro de boi, ele desce a lenha no arraial de nossa maranhensidade. Ouça a matraca dele:

“O anjo da guarda não zela pela goela de porcos. Estes a cada domingo fenecem em quentes manhãs de São Luís. A morte emerge como espetáculo fosse. Bordoadas na cabeça antecedem a peixeirada fatal na jugular. O sangue esguicha. A plateia vibra. Cães, gatos e aves circundam o ambiente. O corpo jaz sobre a folha da bananeira. Olhos fora da órbita. O caldeirão sobre a lenha aquece a água para o pela. O ventre é rasgado de ponta a ponta. As tripas retiradas. Até o bicho ganhar o asseio final da fervura. E as partes repartidas entre os convivas. Findo o ritual. Segue a vida. Remova-se a cata da babugem para outra engorda de filhotes. Maracanã, Iguaíba, Ribamar, Pindoba, Rio Anil e Maioba”

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