COMUNIDADES MARANHENSES IMPACTADAS PELA MINERAÇÃO ADEREM À CAMPANHA JANEIRO MARROM

Janeiro Marrom é uma campanha de conscientização e alerta sobre os impactos da mineração Durante o mês, o capítulo brasileiro da campanha “Água para os Povos” estará unido à campanha Janeiro Marrom, publicando reportagens sobre o crime da Vale e conteúdos exclusivos no Twitter, Facebook e Instagram sobre Brumadinho e sobre a resistência de povos e comunidades às violações cometidas por empresas da cadeia de mineração, como é o caso das comunidades maranhenses Piquiá de Baixo e Santa Rosa dos Pretos.

“Água para os povos! Transnacionais: respeitem nossos direitos”, é uma campanha internacional de sensibilização e informação protagonizada por povos originários, tradicionais e camponeses de Argentina, Brasil, Colômbia e Peru cujos direitos à água, à saúde, à terra, ao território e à vida são violados por empresas do setor de mineração. O capítulo brasileiro da campanha é encabeçada pelas duas comunidades que tem seus direitos violados há décadas pela Vale e pela cadeia mínero-siderúrgica.

POLUIÇÃO ATINGE A COMUNIDADE MARANHENSE DE PIQUIÁ DE BAIXO HÁ PELO MENOS 30 ANOS, CAUSANDO DOENÇAS E DEGRADAÇÃO AMBIENTAL

No próximo dia 25 de janeiro, completará um ano de um dos maiores crimes socioambientais cometidos pela mineradora Vale no Brasil: o rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), que matou pelo menos 259 pessoas já identificadas, além de dois nascituros, Lorenzo e Maria Elisa, que morreram no ventre de suas mães. Onze pessoas seguem desaparecidas. A avalanche de cerca de 12 milhões de metros cúbicos de lama tóxica que soterrou mulheres, homens, animais e vegetação também matou o rio Paraopeba a 40 km de distância da barragem rompida, impactando povos originários, fauna e flora que dele dependiam.

Em 2015, a Samarco, subsidiária da Vale e da anglo-australiana BHP Billiton, já tinha cometido o mesmo crime em Minas Gerais. O rompimento da barragem do Fundão, no município de Mariana, matou 19 pessoas e deixou um rastro de destruição com 40 milhões de metros cúbicos de lama tóxica arrasando animais, vegetação, comunidades, casas, o Rio Doce e parte do litoral brasileiro.

A indignação com a impunidade, com a conivência e omissão do Estado e o poder de atuação de mineradoras em Minas Gerais levou integrantes do Movimento pelas Serras e Águas de Minas (MovSAM) a criarem a campanha Janeiro Marrom. O objetivo da campanha, segundo Maria Teresa Corujo, integrante do movimento e ambientalista em Minas Gerais, é lembrar, ao longo do mês de janeiro, o crime da Vale em Brumadinho e visibilizar o papel do Estado e dos aliados das empresas de mineração que também são responsáveis pelo crime. Além disso, há o alerta “sobre a mineração que mata e assombra pessoas, destrói comunidades e biomas, vidas, fauna, flora, paisagem, qualidade do ar e solo, nascentes, aquíferos e rios e, de forma implacável, avança sobre territórios inviabilizando outras formas de viver, viola direitos e faz uso das mais diversas estratégias para deixar refém a população”, completa Maria Teresa, que também integra o Movimento pela Preservação da Serra do Gandarela e o SOS Serra da Piedade.

O Janeiro Marrom é uma campanha de conscientização e alerta, à semelhança do Outubro Rosa e Novembro Azul, que hoje fazem parte do calendário anual de campanhas. Surgiu em dezembro a partir da ideia de Guto que, junto com outros integrantes do Movimento pelas Serras e Águas de Minas (MovSAM) do qual participa, desenvolveram o plano inicial que foi compartilhado com outros ativistas para sua realização.

A campanha – Em que consiste a iniciativa? A iniciativa consiste numa campanha por meio das redes sociais a partir da adesão de organizações, movimentos e pessoas que se unem em um coletivo para abraçar e realizar o seu objetivo. Durante todo o mês de janeiro será divulgado material que reúne dados, informações, esclarecimentos, reflexões e notícias relevantes sobre a mineração e seus impactos sobre comunidades e ambientes e como o Estado tem sido omisso ou conivente. A campanha também irá dar visibilidade a atos, eventos e manifestações relacionados com o marco de um ano do rompimento ocorrido em 25 de janeiro de 2019, como a 1ª Romaria Arquidiocesana pela Ecologia Integral a Brumadinho. Como pessoas, grupos e entidades podem apoiar o “Janeiro Marrom”? Aderindo à campanha como já está acontecendo com o uso do lacinho marrom nas fotos de perfil no Facebook e nas logomarcas de organizações e movimentos que já participam do Janeiro Marrom.

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