COM QUASE 7 MILHÕES DE HABITANTES, MARANHÃO POSSUI APENAS 16 LIVRARIAS E 8 BANCAS DE JORNAIS

Como se não bastassem os piores indicadores sociais do Brasil, fartamente utilizados nas eleições locais para discursos eleitoreiros de mudança, o Maranhão vai mal, muito mal também no setor cultural. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, recentemente, os resultados de uma pesquisa sobre a cultura no Brasil. Na terra de Gonçalves Dias, de Aluísio Azevedo, de Maria Firmina dos Reis e de tantos escritores reverenciados por todo o país, menos de 10% dos municípios maranhenses possuem livrarias. Ou seja, em todo o estado existem somente 16 livrarias para a atender a uma população de 6 milhões, 851 mil habitantes.

Segundo o Sistema de Informações e Indicadores Culturais, do órgão, em 2018 só 18% dos municípios brasileiros tinham livrarias. Em 2011, eram 43%. O número de templos da leitura, em queda vertiginosa no país, são ainda piores nas regiões Norte e Nordeste. A região Norte, que ocupa 51% do território nacional, possui apenas 4% das livrarias brasileiras. O número de cinemas no Maranhão, segundo o levantamento, é de apenas 6, quantia que não deve contemplar as salas, mas as cadeias instaladas geralmente em shopping centers. Em todo o estado são 8 bancas de jornais ou revistas. As bancas praticamente desapareceram das praças públicas da capital e têm sido uma reivindicação até de movimentos organizados como o Viva as Bancas. Mas o próprio poder público municipal é o primeiro a não incentivar o hábito da leitura com reformas como a da Praça Deodoro, que praticamente transformou o local em um “deserto” de bancas de jornais. A reforma trouxe de volta 18 bustos de personalidades literárias maranhenses, como o do poeta e jornalista Bandeira Tribuzi, mas contraditoriamente, “arrancou” a totalidade das bancas que resistiam na praça (veja a foto).

A REFORMA DA PRAÇA DO PANTHEON (DEODORO) TROUXE DE VOLTA BUSTOS DE LITERATOS MARANHENSES, MAS PROMOVEU A EXTINÇÃO DAS BANCAS DE REVISTAS

Segunda taxa de analfabetismo – De forma geral, o estudo do IBGE demonstrou que as livrarias estão sumindo da paisagem urbana do Brasil. Em 2001, 2.374 municípios brasileiros (42,7% do total) contavam com pelo menos uma livraria. Em 2018, apenas 985 dos 5.570 municípios brasileiros (17,7%) tinham esse tipo de estabelecimento. No Maranhão, cuja capital já ostentou o título de Atenas Brasileira, onde foi editada a primeira gramática brasileira pelo escritor Sotero dos Reis e construído o segundo teatro do país, a ausência de livrarias, bancas de revistas e cinemas, em quantidade no mínimo razoável, é mais do que demonstração do pouco caso dado às políticas culturais. Cegos, surdos e mudos de leitura constituem 16,7% da população maranhense, de 15 anos ou mais. A segunda maior taxa de analfabetos brasileiros deveria ser vergonha para qualquer governante. Mas, neste estado, é apenas uma estatística escondida para debaixo do tapete sujo das promessas falsas e pretensas boas intenções.

2 comments

  1. Quem matéria mentirosa! Típica de quem não andou pela cidade de São Luís e pelo Estado. Não sei de onde tiraram esses números absurdos sem fonte confiável nenhuma.

    1. Se o IBGE não for confiável, meu caro, “andar pela cidade de São Luís e pelo Maranhão” já é suficiente para atestar a tragédia intelectual maranhense.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *