CENTRO DE LANÇAMENTO DE ALCÂNTARA NÃO INTERROMPE ATIVIDADES E IGNORA APELOS POR MEDIDAS DE ISOLAMENTO

Militares do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) continuam prestando serviço na Base Espacial, mesmo com medidas de isolamento social recomendadas pelas autoridades de saúde e com lockdomwn decretado na Região Metropolitana da capital maranhense até o dia 15 de maio. O porto da cidade está fechado por decreto municipal, com proibição de circulação de passageiros de cidades vizinhas, mas as embarcações da Aeronáutica, que transportam soldados e oficiais, continuam atracando diariamente no município, localizado a 22 km de São Luís (MA).

Nos últimos dias, áudios foram amplamente divulgados, em aplicativos de mensagens de celulares locais, com gravações supostamente atribuídas a esposas de militares, denunciando a possibilidade de contaminação em massa pela falta de medidas efetivas de combate à doença, que estaria se alastrando entre os familiares de soldados infectados pelo coronavírus. No início de abril, um militar teria passado mal, na lancha que faz a viagem até o município, e foi transferido para Anápolis (GO), após apresentar sintomas de Covid-19. Dois marinheiros e um mestre teriam sido afastados para ficarem em isolamento.

O CLA mantém um Esquadrão de Saúde, comandado pela major Patrícia Francioli Honorato que, oficialmente, não se pronunciou sobre as denúncias. As mulheres protestam contra a falta de autorização da Força Aérea Brasileira (FAB) para realização de testes para civis que mantém vínculos familiares com militares contaminados, obrigados inclusive a trabalhar, segundo denunciam.

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O Movimento dos Atingidos pela Base Espacial de Alcântara (MABE) chegou a encaminhar ofício, no dia 8 de abril, ao governador do Estado, Flávio Dino; ao secretario de Estado da Saúde, Carlos Eduardo Lula; ao prefeito de Alcântara, Anderson Wilker; ao procurador da República no Maranhão, Hilton Araújo de Melo, pedindo medidas de proteção às comunidades quilombolas de Alcântara. O documento registra o “fato público e notório que durante todo o período de quarentena, ainda em vigência, imposto por decretos estadual e municipal, as embarcações do CLA continuam a atracar normal e diariamente no Porto do Jacaré, cidade de Alcântara e os funcionários em contato direto com a população local” . E solicita com urgência “que o CLA informe às autoridades competentes e dê ampla publicidade a toda sociedade alcantarense sobre quais foram às medidas preventivas e sanitárias adotadas em face da real possibilidade de contágio e patente risco oferecido para a população, ao não cumprir os decretos estaduais e municipais“.

OFÍCIO DO MOVIMENTO DOS ATINGIDOS PELA BASE ESPACIAL DE ALCÂNTARA PEDE PROVIDÊNCIAS URGENTES S E INFORMAÇÕES

O movimento solicitou ao Ministério Público Federal (MPF) apuração junto ao Comando do CLA de “informações acerca das medidas preventivas e sanitárias adotadas pelo durante todo esse período”. Até o momento não houve resposta de nenhuma das autoridades endereçadas.

“Não podemos afirmar a veracidade dos áudios vazados. Se confirmados, apontam para um cenário gravíssimo de agravamento da Covid-19 em Alcântara. Revelam que o CLA prescindiu do seu dever básico de cuidar dos militares e suas famílias que trabalham ali e expõe a riscos diretos a  população de Alcântara. Se é verdade que o CLA seja o foco de contaminação do coronavírus, em Alcântara, como sustentam os áudios, isso coloca o CLA numa posição de agente doloso, uma vez que se assumiu os riscos de eventuais contágios. Essa situação exige que o Comando do CLA se posicione, publicamente, a toda comunidade alcantarense e sociedade em geral acerca dos fatos denunciados e informe quais medidas preventivas e sanitárias foram adotadas neste período e números de pessoas contaminadas em suas dependências”, declarou ao blog o assessor jurídico do MABE, Danilo Serejo.

DANILO SEREJO, ASSESSOR JURIDICO DO MOVIMENTO DOS ATINGIDOS PELA BASE ESPACIAL DE ALCÂNTARA ALERTA SOBRE “EFEITO CATASTRÓFICO EM CASO DE CONTAMINAÇÕES”

Serejo destaca que parte significativa dos soldados da Base Espacial de Alcântara é constituída por jovens das comunidades quilombolas, que prestam serviço militar obrigatório. “Ou seja, há riscos reais de estes jovens estarem contaminados e contaminarem as suas famílias que estão nas comunidades. Temos um efeito catastrófico colocado à mesa”, conclui.

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