CASAL DE TRABALHADORES RURAIS É EXECUTADO NO MARANHÃO: ATÉ QUANDO?

Por volta das 13 horas desta sexta-feira (18), os corpos de um casal de trabalhadores rurais foram encontrados nas proximidades da comunidade Vilela, em Junco do Maranhão, área de vários conflitos agrários. A vítima, Maria Da Luz Benício de França, era suplente da direção do Sindicatos dos Trabalhadores Rurais  e seu companheiro, Reginaldo Alves Barros, também era trabalhador rural. A filha deles, de 3 anos, foi encontrada viva ao lado dos corpos.

Em 2019 e 2020, foram assassinados outros dois trabalhadores na região. De acordo com o advogado Diogo Cabral, da Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Maranhão (FETAEMA) não houve investigação em  nenhuma das as mortes.

Existem suspeita de que os trabalhadores tenham sido vítimas de uma emboscada, pois não havia sinais de roubo. Meses atrás, o pai da vítima, Maria, havia sido assassinado em circunstâncias misteriosas.

“Já são cinco mortes causadas por conflitos no campo só neste ano. Mortes ocorrem misteriosamente e as investigações não levam a nenhum lugar. A violência nesta área, em Junco, é crescente, marcada pela disputa de terras”, afirma o assessor jurídico da FETAEMA, Diogo Cabral. Há décadas, o Maranhão e o Pará disputam o ranking de estados brasileiros com maior número de conflitos de terra, com sangue derramado nos campos manchados de violência e ambição, sob o silêncio cúmplice das autoridades do Estado. Em nota emitida ontem (19), organizações sociais e sindicais cobram “agilidade nas investigações e reforçam que acompanharão os desdobramentos do inquérito policial”.  Leia:

NOTA PÚBLICA.

QUEM MATOU REGINALDO ALVES BARROS E MARIA DA LUZ BENÍCIO DE SOUSA?

As organizações abaixo assinadas vêm a público cobrar das autoridades uma efetiva investigação sobre o duplo homicídio dos trabalhadores rurais Reginaldo Alves Barros e Maria da Luz Benício de Sousa. Ambos foram baleados durante uma emboscada, crime ocorrido na manhã desta sexta-feira (18), no Povoado Vilela/Gleba Campina, município de Junco do Maranhão. A filha de criação do casal, de apenas 3 anos de idade, foi encontrada viva, sobre o corpo da mãe, banhada de sangue. Maria da Luz era dirigente sindical, atuando como suplente do STTR de Junco do Maranhão, sindicato afiliado à Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Maranhão – FETAEMA.

Este foi o quarto homicídio registrado no Povoado Vilela desde 2019. Os dois anteriores seguem sem resolução, gerando insegurança e medo entre os moradores e moradoras da comunidade. Ressaltamos que a região é palco de violentos conflitos agrários e há mais de 10 anos, a comunidade Vilela/Gleba Campina tem sido ameaçada de expulsão de suas terras tradicionalmente ocupadas por um fazendeiro local.

Um processo de regularização fundiária tramita no ITERMA desde 2010, sem ter tido finalização. A comunidade é composta por um total de 66 famílias que ocupam uma área de aproximadamente 2.250 hectares de terra, onde desenvolvem atividades de agricultura familiar, com o planto de milho, feijão, arroz, além da criação de animais.

As organizações signatárias exigem das autoridades competentes do Estado do Maranhão agilidade nas investigações e reforçam que acompanharão os desdobramentos do inquérito policial

Consideramos que acesso à terra é um direito de todos e todas. Não mediremos esforços para garantir que os direitos dos povos camponeses do Maranhão sejam respeitados.

Reiteramos nosso compromisso com a luta dos Trabalhadores Rurais do Estado do Maranhão e seguiremos denunciando, mobilizando e apoiando a luta camponesa em nosso estado.

São Luís-Ma, 18 de junho de 2021

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