CAPITAL INTERROMPIDA

O protesto, realizado na semana passada, na cabeceira da Ponte do São Francisco, por moradores do bairro da Ilhinha, com repercussão mínima na imprensa local, é mais um tema apagado da pauta de debates dos pré-candidatos a prefeito da capital. No ambiente frenético dos blogs que turbinam ou trituram as pré-candidaturas, São Luís é uma estranha, enfrentando crises da idade, maus tratos e problemas de toda ordem, solenemente ignorados até a chegada do mundo maravilhoso dos programas eleitorais no rádio e na TV. Pesquisas eleitorais são a pauta mais importante das postagens infladas pelas pequenas fábricas de opinião.

Os moradores da Ilhinha fizeram um protesto, alegando que moram em palafitas e não receberam os apartamentos do Programa Minha Casa Minha Vida do Residencial José Chagas, na Avenida Ferreira Gullar. O Residencial Jomar Moraes, no Sítio Piranhenga; o José Chagas, na Ilhinha; e o Residencial Piancó, no Itaqui-Bacanga, totalizam 1.664 apartamentos para atender famílias que viviam em condições de vulnerabilidade social e que hoje recebem o aluguel social. Foram construídos por meio do Programa Minha Casa Meu Maranhão, com recursos do Minha Casa Minha Vida e contrapartida do Governo do Estado. As obras foram executadas pela Secretaria de Estado de Cidades e Desenvolvimento Urbano, em parceria com a Caixa Econômica Federal (CEF).

FILHOS DOS MORADORES DA ILHINHA PARTICIPA DE PROTESTO POR MORADIA DIGNA

A capital maranhense possui um déficit de unidades habitacionais maior do que a população de 90% dos municípios do Maranhão: 56.269 unidades, sendo que 40.035 domicílios estão em assentamentos precários. Ou seja, o estado possui 195 municípios com menos de 56 mil e 200 habitantes. O município menos populoso, Bernardo do Mearim possui 3. 432 pessoas.

Além de déficit habitacional, 35% da cidade não possui esgotamento sanitário adequado e todas as praias são poluídas. Cagada, esburacada, sedentária, São Luís tem a mobilidade urbana comprometida, sofre de inchaço na Região Metropolitana e boceja diante do deserto de atividades culturais raramente estimuladas pelos poderes públicos. As obras que fecham o ciclo holandino notabilizam-se pela devastação de árvores e das bancas de revistas.

Com a periferia sitiada pelo tráfico e uma proposta de Plano Diretor ameaçando o futuro, a terra de poetas românticos e lendas sonâmbulas sobrevive dos últimos versos de sua Louvação, feito por Bandeira Tribuzi: “nas lentas ladeiras que sobem angústias/sonhos do futuro/glórias do passado”

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