CANDIDATOS NÃO SÃO ANITTA. E NEM MARKETING ELEITORAL É CANTADA.

Em uma conjuntura sem que cargos e mandatos eletivos sejam sinônimo de negócio, obviamente que a comunicação seria um campo fundamental de mediação em defesa do interesse público como precisa ser. Mas o buraco é bem mais embaixo. Estamos no Brasil, 2022: país de BBBs onde bíblias, balas e bois atropelam, matam e esfolam bibas, pretos e – com frequência abusiva – o bom senso.

A pauta política está no dia a dia, nas ruas, bares e passou a ocupar lugar de destaque nas últimas tumultuadas décadas marcadas por golpes midiáticos-judicialescos, impeachments e – bem antes – por renúncias e até suicídio de presidente. O campo da política partidária foi devidamente midiatizado, recebendo contornos complexos de significados sob a embalagem da sociedade em rede. Se antes a televisão era a grande e cara vitrine para a drenagem de polpudos recursos com objetivo de êxito nas urnas, as últimas eleições presidenciais do Brasil foram marcadas pela vitória de um candidato que tinha 8 segundos de tempo na propaganda eleitoral na TV, Jair Bolsonaro. Mas essa é uma outra “estória”.

Com o advento das redes sociais e o imperativo da opinião proporcionado pela configuração das respectivas mídias, candidatos e assessores (tontos em meio à hiperinformação acelerada) passaram  a confundir Marketing Eleitoral com Marketing Político. Eleição é jogo, com regras estabelecidas, árbitros e com todo o clima de emoção que envolve torcidas, preferências, subjetividades e investimentos sob os limites da legislação. Isso tudo exige timming.

MARKETING ELEITORAL EXIGE “FEELING” E “TIMMING”

O que determina a escolha majoritária da população por uma liderança é instigante. O tempero da cultura nacional ou regional entra na panela de acordo com as temperaturas mais elevadas do momento. Em metáfora vulgar, candidatos que começam a utilizar técnicas de Marketing Eleitoral, antes do momento adequado, se assemelham aos sem noção que aplicam cantadas baratas em alguém que não demonstra o menor interesse.

É preciso feeling. E, ao contrário da velhota canção de Morris Albert – sem comunicação piegas, mas antenada com as tendências de uma atualidade de instantaneidades. Há quem confunda construção de identidade, manutenção do capital político (sim, via Marketing Político), zelo pela reputação com o uso das mesmas técnicas para a explosão de um fenômeno pop como a cantora Anitta, que já conseguiu alcançar patamar além dos proporcionados pelos recursos de Marketing: mais de 61 milhões de seguidores no Instagram e no topo do Spotify mundial e da Billboard global.

A CANTORA BRASILEIRA ANITTA CONSOLIDA CARREIRA COMO FENÔMENO ALÉM DO MARKETING

Além da banalização e pasteurização, logomarcas, jingles, slogans, clips com abraços e performances exageradas, antes da época, podem resultar em efeitos adversos no eleitorado já ressabiado com a classe política brasileira. Em pesquisa realizada pelo instituto Datafolha, no final do ano passado, somente 10% dos entrevistados aprovavam o trabalho dos deputados e senadores, índica mais baixo da atual legislatura.

E continua valendo a máxima: comunicação não é o que você diz – muitas vezes,  de forma prepotente – mas o que as pessoas entendem.

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