BICHOS ESCROTOS

O Maranhão alcançou a marca de 18 feminicídios, somente no período de janeiro até agora. Ano passado, o estado registrou 580 ocorrências de estupro e ficou em segundo lugar no aumento do número de casos de feminicídio, nos meses de março e abril, entre todos os estados do país. De acordo com o relatório Violência Doméstica durante a Pandemia de Covid-19, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, houve um aumento de 166% no números de mortes desta natureza no estado, em 2020.

Mesmo nos casos em que a investigação ainda não foi concluída, sem a tipificação de feminicídio, as ocorrências registradas chamam a atenção pelos requintes de crueldade verificados. A vítima mais recente, Mariana Cardoso, tinha 18 anos de idade e residia em Milagres do Maranhão. Após três dias do desaparecimento, o corpo foi achado em avançado estado de decomposição, com marcas de perfurações causadas por faca e sinais de violência sexual.

2021 PERMANECE COM NÚMEROS ALARMANTES DE FEMINICÍDIO NO MARANHÃO

Outro caso de morte violenta, registrado no início do mês, foi o de Alcilene Cutrim, de 44 anos, encontrada morta dentro de uma casa, no Bom Jesus, próximo ao bairro do Coroadinho, em São Luís. Alcilene foi achada amarrada e a causa da morte foi estrangulamento (FOTO). O registro fotográfico abaixo só foi postado após intensa discussão, que resultou em decisão editorial com objetivo de chamar atenção das autoridades para os casos com estas características.

NATUREZA DO FEMINICÍDIO DEMONSTRA QUE PARA OS CRIMINOSOS NÃO BASTA MATAR

Barbárie – A imagem da barbárie traz forte carga simbólica. Além da humilhação a que as mulheres são submetidas, elevada a nível de crime, são mortes cruéis, verificadas com frequência em uma espécie de patologia relacionada à posse masculina. Rosto, ventre, seios são os alvos preferenciais da violência masculina. No Maranhão, já houve feminicídio com tiros disparados na barriga de uma grávida sob o argumento de que o filho não era do então companheiro. Em 2015, no município de Bacabeira, Maria Celia Marques Castro de 41 anos, foi esquartejada após uma briga com o homem com quem mantinha um relacionamento, Raimundo João Castro filho, de 47 anos. O blog optou por não ouvir fontes do campo da Psiquiatria para evitar que o tema caia na vala comum dos argumentos de defesa jurídica que encobrem a culpa com o manto da doença mental.

“O feminicídio, de forma geral, ocorre com requintes de crueldade porque não dá a possibilidade de defesa a vítima. Requinte de crueldade é uma das características do feminicídio”, explica a diretora da Casa da Mulher Brasileira, a advogada Susan Lucena.

O Maranhão avançou bastante no enfrentamento da questão. É um único estado do país que possui um Departamento de Feminicídio.  Em entrevista ao blog, Lucena informa que aqui foi adotado um Procedimento Operacional Padrão (POP) nas perícias criminais para que todas as mortes violências de mulheres sejam, desde o início da investigação, tratadas como feminicídio.

SUSAN LUCENA, DIRETORA DA CASA DA MULHER BRASILEIRO: 80% DOS ESTUPROS SÃO PRATICADOS CONTRA A MULHER

“Para mim, por si só, a violência sexual já determina feminicídio por causa do menosprezo e discriminação à condição feminina e porque 80% dos estupros são praticados contra a mulher”, considera Susan Lucena.

São 521 anos de cultura machista, patriarcal. De machos violentando mulheres indígenas ou pretas, de poderosos normalizando beijos ou sexo forçados, de patrões estuprando empregadas e de maridos humilhando mulheres. Somente nos últimos anos campanhas começaram a ser veiculadas informando que “quando a mulher diz não, é não mesmo”. A quantidade de feminicídios grita por um enfrentamento que é caso de polícia, mas sobretudo, de educação – inclusive familiar.

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