ATO PÚBLICO CONTRA O RACISMO RELIGIOSO NA CAPITAL ACONTECE NA PRÓXIMA SEXTA

Com o lema “Protejam o nosso sagrado e respeitem o nosso axé, representantes de religiões de matriz africana realizam a I Caminhada de Axé pela Paz e contra Racismo Religioso em São Luís. O ato está marcado para o dia 3 de setembro, com saída do Convento das Mercês, prevista para as 16 horas, com percurso até a Praça Pedro II, Centro Histórico.

 A caminhada busca chamar a atenção das autoridades para o crescente número de casos de racismo religioso no Maranhão e violências sofridas pelos povos do axé no Estado, além de promover a cultura de paz, liberdade religiosa e propor políticas públicas de destinadas as comunidades de terreiro.

A Yalorixá Jô Brandão, uma das coordenadoras da caminhada explica que as religiões de matriz africana oferecem valores que respeitam a vida. “Nosso Deus não comunga com a violência nem com a propagação de discursos de ódio. Temos vivenciado ataques e depredações dos nossos espaços sagrados. Isso é racismo religioso, é crime”, ressalta.

O representante da Federação de Umbanda e Cultos Afros, Biné Gomes Abinoko, reforça que o preconceito é uma das principais razões dos ataques as religiões de matriz africana. “Nossa religião não cultua demônios. Precisamos denunciar os ataques contra nossos espaços sagrados e contamos com a ação efetiva das instituições de segurança do Estado”, disse.

Casos recorrentes – Os casos de ataques contra casas de culto de religiões de matriz africana têm sido frequentes até mesmo na capital. O Terreiro de Mina Dom Miguel, localizado no bairro do Anjo da Guarda, em São Luís, enfrenta, desde maio, ataques de intolerância religiosa, com apedrejamentos no telhado, em horários alternados e até mesmo a destruição das imagens de culto. A casa, presidido pelo Pai Lindomar de Xangô, sofre ataques constantes. No último dia 8 de julho, a casa foi invadida e foi ateado fogo nas roupas e imagens das entidades e por pouco não houve óbito. Os integrantes da casa já registraram Boletim de Ocorrência na Delegacia Especial de Crimes Raciais e Agrários, mas reclamam da sensação de impunidade e insegurança. A polícia tem sido acionada, mas não toma providências. Viaturas chegam, mas os policiais se recusam a entrar na casa.

PEDRAS QUE FORAM ATIRADAS NO TELHADO DA CASA DE CULTO NO BAIRRO DO ANJO DA GUARDA

“São perdas que o Estado não vai poder pagar, que é perda do psicológico, dos nossos artefatos religiosos. Nós continuamos sendo atacados”, afirmou o Pai Lindomar de Xangô, em entrevista exclusiva ao blog.

Durante a caminhada, os representantes das religiões de matriz africana pretendem apresentar reivindicações, entre elas uma audiência com o governador do Estado do Maranhão e outras autoridade, com o objetivo de estabelecer uma força tarefa para resolução dos ataques contra os povos de terreiros, inclusive, com a instalação da Patrulha Negro Cosme como medida de coibição dos crimes de racismo religioso.

Charge: Latuff

AGENDA

O quê? I Caminhada de Axé pela Paz e contra Racismo Religioso

Data: 03 de setembro de 2021

Concentração: 16 horas, no Convento das Mercês.

Contatos:

(98) 98779-1313 – Ya Jô Brandão   

 (98) 98822-4634 – Biné Gomes

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