AGENDA MARANHÃO REGISTRA PRESENÇA DE DOIS GOVERNADORES NEGROS Na história do ESTADO

O site Agenda Maranhão fez um importante resgate para a história maranhense: a presença de dois governadores negros no Maranhão, ambos vítimas de racismo: Paulo Ramos (década de 1930/1940) e Nunes Freire (década de 1970). A matéria publicada no portal cita que o deputado e senador Vitorino Freire, por repetidas vezes, chamava Paulo Ramos de “mulato sem caráter”. Paulo Ramos foi eleito, em um concurso da revista O Cruzeiro, o deputado mais feio do país, apelido que o perseguiu por anos. E, mesmo sem provas registradas, pessoas entrevistadas pelo blog Buliçoso que viveram na geração do governador e médico, Oswaldo Nunes Freire, afirmam que ele tinha o apelido de “governador macaco”. Registros assim são fundamentais para o combate ao racismo. Leia o texto da Agenda Maranhão.

Paulo Ramos, um governador negro no Maranhão

O Maranhão já teve dois governadores negros: Paulo Ramos, na década de 1930/1940; e Nunes Freire, na década de 1970.

Paulo Martins de Souza Ramos nasceu em Caxias, em 1896.

Foi governador do Maranhão, eleito pela Assembleia Legislativa, de 1936 a 1937; e interventor federal, indicado pelo presidente Getúlio Vargas, de 1937 a 1945.

Foi, também, deputado federal de 1951 a 1955.

Como primeiro governador negro do Maranhão, 48 anos depois vigência de leis que legalizaram as lutas pelo fim da escravidão no Brasil, Paulo Ramos enfrentou resistência da elite local que o via com desconfiança.

As críticas eram contornadas por causa da vigência do Estado Novo. Como o fim do regime, em 1945, as críticas e ataques pessoais ao interventor se tornaram comuns.

Entre os críticos, o deputado e senador Vitorino Freire que, por repetidas vezes, chamava Paulo Ramos de “mulato sem caráter”.

A Revista O Cruzeiro, que organizava um concurso para a escolha dos políticos mais bonitos do país (sic), elegeu Paulo Ramos o deputado mais feio do país, apelido que o perseguiu por anos.

O EX-GOVERNADOR PAULO RAMOS, CHAMADO DE “MULATO SEM CARÁTER” PELO INIMIGO POLÍTICO VITORINO FREIRE

Poucas pesquisas – Há poucas pesquisas referentes a Paulo Ramos. E não há nenhuma focada nas discriminações racial das quais foi vítima.

Os dados mais acessados na Internet são da Fundação Getúlio Vargas, reproduzidos, em parte, na Wikipédia.

Há uma pesquisa, do historiador Marcelo Lima Costa, mas focada na postura desenvolvimentista, aplicada a partir de 1936, no Maranhão, com a chegada do novo governador, Paulo Ramos, que ele identifica como um técnico burocrata focado em diretrizes consideradas inovadoras em sua época, como renovação urbanística e posturas modernizantes da estrutura governamental.

“Um técnico, especialista em ciência jurídica, conhecedor das leis tributárias, fato que, do ponto de vista dos ideólogos de então, era o que o Maranhão e o Brasil necessitavam”, afirma Marcelo Lima Costa.

Paulo Ramos fez mudanças na configuração urbana de São Luís, transformando o Caminho Grande em Avenidas Getúlio Vargas e abriu a Avenida 10 de Novembro (atual Avenida Magalhães de Almeida).

Realizou os primeiros concursos públicos, criou os hospitais Nina Rodrigues e Aquiles Lisboa e o Centro de Saúde Paulo Ramos e ajustou as finanças do Estado Maranhão.

Foi o primeiro presidente do diretório do PTB (de Vargas e Jango) no Maranhão.

Paulo Ramos decidiu sair do cenário político e passou a servir como diretor da Receita Federal, no Rio de Janeiro, até se aposentar, em 1968, um ano antes de seu falecimento.

Foi casado com Maria Nazaré Pires Chaves e o casal teve seis filhos.

Texto: Agenda Maranhão (http://agendamaranhao.com.br/)

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