A FAVOR DO BRASIL

Os registros fotográficos são uma espécie de testemunho para o tribunal da história. No futuro, os brasileiros lembrarão de um período marcado, provavelmente menos pela polarização política de agora, e mais por uma tragédia generalizada em diversos setores da vida nacional, agravada por aquela que parece ser a pior pandemia deste século XXI.  

MANIFESTANTES PROTESTARAM COM CRUZES: SÍMBOLO DO GENOCÍDIO CAUSADO PELA NEGLIGÊNCIA OFICIAL

Com mais de 100 pedidos de Impeachment e quase meio milhão de mortos pelo coronavírus, o país vive dias de grave convulsão social, com 19 milhões de pessoas na extrema pobreza, 14 milhões de desempregados, 1,3 milhão que desistiram de procurar alguma ocupação – enquanto bancos, agronegócios, supermercados e mineradoras vivem momentos de opulência, registrando lucros fabulosos. Até o ocupante do maior cargo do Executivo lucra com a pandemia, elevando o próprio salário e o do ministério em 69%, estourando o teto de gastos.

CONTRA UM PRESIDENTE DE QUEM JÁ SE OUVIU PROFERIR A FRASE: “EU NÃO ESTUPRO PORQUE VOCÊ NÃO MERECE”

 “A democracia é um regime em construção cujo edifício jamais está terminado”, ensina o escritor uruguaio Mário Benedetti, que utiliza o metáfora dos Andaimes em um de seus livros. O Brasil é uma nação com democracia que se consolida com sequelas, golpes, impeachment e até suicídio de chefe da nação. São dias de construção sob o perigo iminente de acidentes, mas que com a força de trabalhadores, dos coletivos, dos movimentos e sociedade haverá de elevar-se em mais um andar.

COM CRUZES EM PASSEATA PELAS RUAS DO CENTRO DE SÃO LUÍS NO REGISTRO DE CLÁUDIO CASTRO

O ato do dia 29 de maio é a demonstração do crescimento de um movimento contra a negligência criminosa, o negacionismo beócio, a cultura do ódio, o conservadorismo sexista e contra a abjeta postura de um presidente de República que ridiculariza e debocha do sofrimento alheio como a baixeza que não se espera do pior dos tiranos.

CARTAZES, CRUZES,PALAVRAS DE ORDEM E INDIGNAÇÃO MARCARAM O ATO

O dia nacional Fora Bolsonaro recebeu pouco destaque da maioria do jornalões da chamada grande mídia. A cobertura do Jornal Nacional, da Rede Globo, limitou-se a uma “nota coberta” que, no jargão do telejornalismo, é apenas um registro com voz do apresentador, dispensando até mesmo a presença do repórter. Com receio de partidarizar e cometer erros, como a omissão histórica do movimento Diretas Já, a Globo fez o antijornalismo, minimizando um fato que reuniu cerca de 80 mil pessoas, somente na Avenida Paulista, em São Paulo.

LGBTS DIZEM FORA BOLSONARO QUE TAMBÉM É HOMOFÓBICO

Mas a mídia livre do Brasil, os coletivos de comunicação alternativa e popular fizeram uma cobertura à altura de um movimento nacional, registrado em todas as capitais do país, em 231 cidades e 14 países, que se alastrou pelas redes sociais, sites e portais. O fato é emblemático para que se possa perceber a importância estratégica de uma imprensa contra-hegemônica no momento atual.

ATO TEVE AMPLA DEFESA DO SUS

O Maranhão integrou o coro dos descontentes. O blog faz o registro do ato em São Luís para que no futuro – quando o bolsonarismo for julgado – não fique dúvidas: aqui se fez o livre exercício do jornalismo –  atividade absolutamente incompatível com regimes de exceção, mas essencial à democracia.

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