A ECONOMIA DO TRÁFICO NA CAPITAL DO MARANHÃO

“O pedreiro da minha mãe é traficante”, diz P., 26 anos, moradora do bairro do São Bernardo. “A vizinha daqui da rua, uma senhora, também vende desde o pó até a maconha”, afirma B., de 21 anos, da Cidade Olímpica. Basta uma breve conversa com moradores da periferia de São Luís para que relatos que evidenciam a economia do tráfico na capital maranhense venham à tona. Há quem sobreviva exclusivamente da atividade criminosa e quem aproveite para ganhar um “extra” para ajudar nas despesas domésticas.

O fato não é novidade, mas um dado sugere que engrenagens da sobrevivência de parte considerável da população dos bairros teriam origem cada vez maior em atividades não convencionais. Segundo dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios) Contínua, Rendimento de Todas as Fontes 2018, o Maranhão apresentou crescimento na média de rendimento mensal, entre 2012 e 2018, independente da fonte de trabalho, de 7, 3%, saltando de R$ 1.087,00 para R$ 1.166,00. Isso, em plena crise, sem nenhuma iniciativa de incentivo ao empreendedorismo na região periférica por parte dos órgãos públicos.

800 mil reais em contas – Em 2019, a Polícia Federal no Maranhão chegou a cumprir, de um só vez, 32 mandados de prisão preventiva e 32 de busca e apreensão, durante a Operação Intramuros, que investigava uma organização criminosa especializada em tráfico de drogas e armas no estado. Em outubro, A Polícia Civil do Maranhão, em ação conjunta das Superintendência Estadual de Investigações Criminais e Superintendência Estadual de Repressão ao Narcotráfico (SENARC), realizou, realizou a segunda fase da Operação Tiro Certo, chegando a bloquear contas bancárias de uma facção criminosa que havia movimentado um valor superior a R$ 800.000,00 (oitocentos mil reais). As equipes policiais da investigação descobriram que a facção havia “investido” o valor aproximado de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) em drogas, transportadas para a capital, às margens da BR 135.

Em alguns bairros, os investimentos feitos pelo dinheiro do tráfico são de conhecimento público: quitinetes para alugar em condomínios e até lojas de variedades, de propriedade de traficantes. Qualquer jovens sabe apontar os colegas de rua que passaram a trabalhar no comércio das drogas e aqueles que já foram executados nas guerras entre facções, que envolvem famílias inteiras, em alguns casos.

AS SOMAS ADQUIRIDAS COM O TRÁFICO DE DROGAS MOVIMENTAM A ECONOMIA DE BAIRROS DA PERIFERIA

É da periferia de São Luís que surgem as autênticas manifestações da cultura popular do Maranhão: o Bumba-meu-boi, o Tambor de Crioula, as danças, as expressões do Carnaval e tantas outras. Mas todas elas são dependentes do poder público que faz a política da dependência financeira, a cada festa do calendário oficial, e não cria mecanismos eficientes de geração de emprego e renda, menos ainda o incentivo à economia criativa. Todos dias são feitas apreensões de drogas, efetuadas prisões de traficantes em um trabalho semelhante ao de enxugar gelo, sem que nenhuma solução seja pensada ou experimentada.

Vizinho dos esgotos jorrando, dos buracos “calados” a cada eleição e da falta de perspectiva está o tráfico com suas falsas ofertas de luxo e glamour. Não é à toa que a Polícia tem conseguido efetuar tantas prisões de traficantes em festas e churrascos.

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