A DOR E A DELÍCIA DE SER LGBT

Janeiro de 2019. O corpo de Ildivan Silva Farias, desaparecido há três dias depois de visto pela última vez em uma festa, é encontrado dentro de dois sacos plásticos, em um açude no município de Presidente Médici, a 260 km de São Luís. O autor, Valber Bezerra, foi capturado com o aparelho celular de Ildivan, confessou o assassinato, as relações sexuais com a vítima e o crime de homofobia.

Em 2018, foram 14 mortes por LGBTFobia no Maranhão. Somente nos cinco primeiros meses deste ano, já foram nove crimes do tipo. A cada 26 horas um LGBT é barbaramente assassinado ou se suicida no Brasil, país com a maior incidência de crimes contra as minorias sexuais no mundo. Segundo agências internacionais de Direitos Humanos, há mais assassinatos de homossexuais e transexuais aqui do que nos 13 países do Oriente e África, onde existe pena de morte contra os LGBTs. O Grupo Gay da Bahia vem monitorando os números referentes a crimes cometidos contra o segmento. Pelo levantamento, o Amapá é o estado menos violento (1,21 mortes por milhão de habitantes) seguido por Goiás (2,02). Em todo o Brasil, Alagoas, é o estado mais perigoso para os LGBT: 6,02 mortes por um milhão, quando a média nacional é 2,01. Maceió, igualmente, lidera a LGBTfobia dentre as capitais. Alagoas, Rio Grande do Norte e Paraíba lideram o ranking nordestino.

Avanços – O Maranhão, felizmente, foi o estado menos violento do Nordeste, em 2018, com 1,28 mortes de LGBTs a cada milhão de habitantes. Porém, ainda há casos graves de preconceitos e violências sofridas pela comunidade, mortes e outras dificuldades como obstáculos no acesso ao mercado de trabalho. Os temas foram debatidos durante toda a Semana do Orgulho LGBT+. “Ainda há muitos desafios, inclusive no sentido de quebrar paradigmas em relação ao perfil dos trabalhadores trans. No imaginário da sociedade, o que se tem é que as travestis e transexuais só servem para a prostituição, trabalhar em salões de beleza e trabalhos domésticos”, explicou Ayrton Ferreira, membro fundador do grupo maranhense Gayvota, integrante do Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN-MA) e membro da União Nacional LGBT.

Em entrevista à rádio web Tambor, ele citou a presença de três servidores de orientação Trans, que atuam no Governo maranhense e alguns avanços já verificados no estado, tais como: a criação do Conselho Estadual LGBT e da Coordenação Estadual de Promoção dos Direitos LBGTs, com implementação do Plano Estadual de Políticas Públicas. Mas reconhece: “ainda há uma resistência muito grande, em uma sociedade extremamente patriarcal e transfóbica”.

A programação da 16a Semana do Orgulho LGBT+ de São Luís segue até este domingo (20), com a realização da tradicional Parada do Orgulho Gay. A concentração acontece atrás do Convento das Mercês, no Desterro e segue até a Praça Maria Aragão.

Foto: Flávia Regina Melo

Modelos: Emerson Thiago e Léo Santoz (agradecimentos)

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