2017 já contabiliza 20 mulheres assassinadas no Maranhão

Só em 2017, pelo menos 20 mulheres já foram assassinadas no Maranhão pelo simples fato de serem mulheres, avalia o Departamento de Feminicídio do Maranhão. O número de vítimas do sexo feminino no Maranhão, mortas por seus companheiros, tem aumentado em proporção alarmante, nos últimos 10 anos.

De acordo com pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), houve um aumento de 130% nos casos de violência contra mulheres no Maranhão, colocando o estado com o maior aumento na taxa de homicídios de mulheres no Brasil. O número de homicídios causados por desequilíbrios emocionais, com uso da força bruta masculina, tornou-se mais frequente, independente de classe social: da sobrinha do ex-presidente José Sarney, morta ano passado pelo empresário Lucas Porto, às mulheres da periferia da capital.

O caso mais recente, registrado pela delegado, aconteceu no último sábado (9), no condomínio Eco Park 3, bairro do Anil, em São Luís, quando o marido esfaqueou a esposa na frente dos três filhos, motivado por ciúmes. Os crimes classificados como passionais, até então comumente praticados por mulheres, têm se repetido de maneira degradante. Em junho, outra mulher foi morta a golpes de facão pelo ex-marido no Maranhão, no bairro Coroadinho. O homem teria cometido o crime por não aceitar o fim do relacionamento.

Nos detalhes relatados à polícia pelo assassino da mulher do condomínio Eco Park, o homem alegou que não suportou saber a respeito de um suposto relacionamento que a vítima teria tido durante o período em que estavam separados, fato que gerou toda a discussão, culminando em morte. Ou seja, mesmo supostamente não tendo havido traição, houve um crime e, “mesmo que tivesse acontecido, não seria justificativa para um assassinato”, alerta o órgão maranhense.

Criado pelo atual governo, o Departamento de Feminicídio refuta a tese de crime passional, em alguns casos. “Não se pode falar em crime passional em se tratando de Feminicídio, pois passionalidade remete a uma injusta provocação da vítima, o que acaba por desqualificar para um crime privilegiado. Não, não existe Feminicídio privilegiado, pois todos os crimes dessa natureza são crimes de ódio, misóginos. Juridicamente falando, entendemos que o Feminicídio é uma qualificadora subjetiva e, portanto, não pode subsistir com uma causa de diminuição também subjetiva, de acordo com nossa legislação penal”, considera o Departamento de Feminicídio.

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